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Meditação kolbiana

Temos uma Mãe! Que mãe?

 

Temos uma Mãe! Que mãe?

 



No Evangelho – diz o Papa Francisco – ouvimos Jesus dizer ao discípulo: “Eis tua mãe” (Jo 19,26-27). Temos uma Mãe! Uma «Senhora tão bonita»: comentavam entre si os videntes de Fátima a caminho de casa, naquele abençoado dia treze de maio de cem anos atrás1.”


“Temos uma Mãe!”. Sim, temos uma Mãe, repetia Maximiliano Kolbe com o coração de filho apaixonado quando escrevia: “Que coisa poderias dar-me ainda, ó Deus, depois de já terdes te oferecido a mim como propriedade?... O teu coração, ardente de amor por mim, sugeriu-te ainda um outro dom; sim, um outro dom ainda!...

Tu nos mandaste tornarmo-nos crianças, se quisermos entrar no Reino dos céus. Tu sabes bem que uma criança tem necessidade de uma mãe... A tua bondade e a tua misericórdia, portanto, criaram para nós uma Mãe... e da Cruz, sobre o Gólgota, a ofertaste a nós e nós a Ela” (EK 1145).

No fim da existência terrena de Jesus, Maria recebe do filho agonizante a entrega da maternidade espiritual em relação ao “discípulo amado”2, imagem de todo discípulo que a “acolhe consigo” (Jo 19,27b). Com são Maximiliano vamos ao Calvário para ouvir de novo a Palavra de Jesus agonizante.

V.25: “Perto da cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe...”.

O Evangelho nos diz que Maria, sua mãe, estava perto da cruz de Jesus. “Maria estava”.

“Estava” é o mesmo verbo que João usa para dizer que “O Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. Então, quando João diz: “Maria estava perto da cruz”, quis nos falar desta grande realidade: “Maria está” de tal modo aos pés da cruz que Ela é uma coisa só com a dor do Filho. Maria está aos pés da cruz em uma atitude de configuração com o Filho Crucificado. Maria está aos pés da cruz em uma atitude de oferta, não de aniquilamento, não está fechada em si. Maria está se oferecendo com Jesus pela salvação do mundo. Um padre antigo – Melitão de Sardes – define Maria com uma imagem belíssima: “a Ovelha pura”. Ela é a Ovelha pura e está se oferecendo junto com o Cordeiro Jesus. O Cordeiro Jesus se oferece pela salvação do mundo e Ela, a Mãe, a Ovelha, oferece-se com o Filho.

“Estavam” (Eistecheisan): o verbo está no imperfeito e indica a presença prolongada junto ao lugar do patíbulo. Portanto, Maria se oferece com o Filho pela salvação do mundo não só uma vez, mas continuamente, em todos os dias de todos os tempos. Cuida de todos nós. Sempre! Faz-nos sentir a sua presença materna para que se revele em nós a presença escondida de Deus para não nos deixarmos enganar com os falsos mitos do egoísmo, do medo dos homens, da indiferença e do oportunismo.

A Virgem aparece em Fátima em tempo preciso, no início do século XX, que são João Paulo II chamou “Séculos das ideologias do mal”. Maria está aos pés da cruz de Jesus. Maria está aos pés da cruz de todos os crucificados da história humana.

A presença de Maria aos pés da cruz é a presença mais radical do amor.

Por isso o stabat de Maria aos pés da cruz é o stabat do amor que supera a si mesmo. “Maria vive aos pés da cruz de Jesus porque – diz o Cardeal Martini – compreende a fecundidade do que está acontecendo; o sentido do seu sofrer é a geração de um povo de crentes”. De fato, Jesus, antes de morrer, dá vida a uma comunidade que tem em seu centro o discípulo amado e Maria. Maria está no centro desse grupo em caminho que, ao longo dos séculos, empreende a sua viagem seguindo os passos de Jesus. Portanto, a comunidade que nasce no Calvário, é uma comunidade que nasce da cruz. Somos uma comunidade de Igreja, uma comunidade de paróquia, uma comunidade de família. Somos uma comunidade que nasceu da cruz. Uma comunidade é tal por ter olhado longamente para o Crucificado e por ter acolhido as suas últimas palavras como testamento: “Eis teu filho... “Eis tua mãe” (vv.26-27).


As últimas palavras de Jesus evocam a fórmula da aliança: “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus” (Ez 36,28).


Evocam a fórmula do amor: “Meu amado é meu e eu sou dele” (Ct 2,16).

“Eis tua mãe! Eis teu filho!” são palavras de pertença recíproca. O discípulo amado pertence a Maria e Maria ao discípulo. Juntos pertencem ao Senhor Jesus, crucificado por amor.
“Eis tua mãe! Eis teu filho!” são palavras “constitutivas”, isto é, fazem aquilo que dizem e o filho é confiado à mãe e a mãe é confiada ao filho.

“E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa” (19,27b). Na casa do seu coração, do seu mundo interior. “A recebeu em seu ambiente”3. “A partir dessa hora” não significa daquele momento, mas da hora de Jesus4. Como fruto da hora de máxima doação, Jesus doa sua mãe.

“Eis teu filho!”... “Eis tua mãe!”: Uma palavra que o Senhor Jesus, ao longo dos séculos, continua a repetir ao “discípulo que ama” e frei Maximiliano acolhe a Mãe na sua vida. Quer conformar-se à Imaculada até transformar-se nela, até consentir que “Ela tome posse do nosso coração e de todo o nosso ser, que Ela viva e opere em nós e por meio de nós, que Ela mesma ame a Deus com o nosso coração, que pertençamos a Ela sem nenhuma restrição”5. São Maximiliano se entrega totalmente à Mãe e Ela o torna capaz de se transformar conforme com o coração do seu Filho Jesus.




Angela Esposito, mipk

 
 

1 Papa Francisco, Homilia, 13 de maio de 2017, Fátima.
2 Jesus ama a todos, mas o discípulo que Ele ama é o discípulo que aceita plenamente o amor do Mestre e é o “tipo” de todos os discípulos.
3 Ugo Vanni, S.J., apostila do curso do Evangelho de João, ano acadêmico 2000-2001, Roma, p. 80. “Eis tà idia” significa “o próprio ambiente”. Pode significar também a própria casa, mas pelo contexto é o ambiente.
4 Ibidem.
5 EK 1210.

 
 

Entregue a São Maximiliano Kolbe os seus desejos, sonhos e esperanças

 

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